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CCaç 13 - Binar

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Os periquitos - 14/03/1970

Picagem da estrada (1)

Terminada a construção dos novos quartéis na zona de Binar, a 14/03/1970 chegou a companhia da metrópole que será a sua guarnição.

Os recém-chegados  (CCaç. 2658) são chamados de "periquitos" pelos "velhinhos", dada a sua inexperiência.

A C. Caç. 13, fica com a nova companhia (CCaç. 2658) mais algum tempo para os integrar e apoiar, actuam com cuidado ao principio, mas os dias passam e nem sinal dos guerrilheiros, e começam a baixar as defesas. Um motorista da CCaç. 2658 gera alguma confusão ao pegar sozinho numa camioneta, e ir e voltar de Nhamate a Binar, por sua iniciativa, felizmente sem problemas.

O excesso de confiança parece instalado nos recém-chegados (erro frequente nas nossas tropas), tenta-se convencer que estão em perigo, explicando que a guerrilha tem forças importantes na região, que esta é a actuação típica da guerrilha, não vão atacar durante algum tempo, mas vão estar a observá-los, e irão aproveitar todos os erros.

Em fins de Março de 1970 a C. Caç. 13 saí da zona e vai para Biambi, mas a C. Caç. 2658, vai continuar a ter as "panhares" a apoia-los. Dois meses depois chegam-nos noticias tristes sobre a C. Caç. 2658, tiveram 8 mortos.

A C. Caç. 2658 fazia uma coluna de Nhamate para Binar, indo 8 soldados à frente, a picar a estrada, o que era habitual, mas isto implicava que teriam que segurar com a mão direita o ferro usado para picar o chão à procura de minas, acção que requeria muito cuidado, estando estes sempre a olhar para o chão, e com as armas penduradas no ombro, o que os colocava numa posição indefesa, assim esta acção exigia que houvesse um outro grupo perto deles, bem atendo a um possível ataque.

Desprezando as normas de segurança, o grupo de apoio à picagem tinha-se deixado ficar para trás.

Os guerrilheiros estavam escondidos mesmo à beira da estrada, quando se levantaram o grupo da picagem ficou condenado, ainda levantaram os braços em sinal de rendição, mas foram mortos com tiros à queima roupa.

A panhar que escoltava a coluna, muito mais atrás, abandonou a mesma, e seguiu a toda a velocidade para o local, tentando socorrer os camaradas, mas era impossível evitar o desastre.

Os guerrilheiros fugiram para o mato, mas ai o chefe do grupo apercebeu-se que um deles na precipitação da fuga tinha perdido a arma, e resolveu voltar atrás sozinho para a ir procurar, mas ao sair da mata, aparece a panhar, que o mata com uma rajada de metralhadora.

Dentro do saco deste comandante da guerrilha, foram encontrados uns binóculos de visão nocturna, o que mostrava mais uma vez que os guerrilheiros, tinham cada vez equipamento mais moderno, que não estava acessível às nossas tropas.

Nota: Uma consulta à lista de mortos da APVG (http://www.apvg.pt/index.php), indica que a CCaç2658/BCaç2905, em 16-05-1970 apenas teve 5 mortos, o que não coincide com os 8 mortos que referi anteriormente, mas não sei explicar o motivo da diferença, pode ser uma informação incorrecta que me tenha sido dada na altura, ou ser um erro nos registos da APVG.


 

 

Publicado em 24/02/2003, e revisto em 21/07/2006 por Carlos Fortunato

Crónica de Carlos Fortunato, ex-furriel da CCaç. 13

(1) Fonte da foto: livro "Guerra Colonial", Aniceto Afonso e Carlos de Matos Gomes

 

 


 

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