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CCaç 13 - Binar |
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Os construtores - 3/2/1970
13/03/1970 - Panhares no novo aquartelamento de Nhamate construído pela C. Caç, 13 (1)
Colocar as populações em zonas protegidas por aquartelamentos, era a política seguida na altura, embora a população fosse livre para cultivar onde entendesse, deixava de estar dispersa pelo mato.
A península do Encherte, oferecia boas condições para este objectivo, devido ao facto de estar rodeada por bolanhas, o que dificultava ao PAIGC o acesso à população.
A nossa missão implicava, a abertura de estradas, a construir os 3 novos pequenos aquartelamentos, ajudar na construção das novas casas para a população, ajudar a mover a população para a península (transportando os seus haveres nas viaturas), e destruir as antigas tabancas.
1970 - Nhamate, o furriel Rocha, e a bandeira portuguesa, hasteada num improvisado pau de bandeira (1)
Esta política levada a cabo por toda a Guiné, obrigava à existência de grande número de efectivos para defender e controlar as populações, os quais o General Spinola solicita constantemente, mas que nunca iria obter, acabando parte da populações por ficar sujeita a um duplo controlo, nosso e do PAIGC.
O PAIGC, sem preocupações de defender qualquer zona de território, quando atacado em força numa zona dispersava-se, mas regressava mais tarde, quando a força atacante retirava.
Após a morte de Amílcar Cabral em 1973, a estratégia do PAIGC mudou, pois além das habituais flagelações, este passou a concentrar elevado numero de forças contra determinados aquartelamentos junto à fronteira, com a intenção da sua destruição/conquista, a chegada dos mísseis terra ar foi fundamental para esta estratégia, pois garantiu-lhe a protecção necessária contra a aviação. Esta alteração colocou em causa a politica de defesa, pois deixava os pequenos aquartelamentos muito expostos.
A nossa missão junto da população foi calma, em geral mostrou-se afável e colaborante, embora fosse clara a tristeza por abandonarem a sua antiga casa. Notou-se alguma influência da guerrilha, pois dois elementos da população (guerrilheiros?) chegaram a desafiar abertamente a nossa autoridade, um acabou por ser preso e o outro por ser morto, depois destes incidentes, as relações com a população foram sempre excelentes.
Este reordenamento, tinha não só o objectivo de retirar a população do controlo do PAIGC, mas também de reforçar a defesa nesta zona, dado que com os novos foguetões 122mm, seria fácil à guerrilha atingir Bissau a partir daqui.
1970 - Nhamate, o cabo de transmissões Gonçalves, e o abrigo do posto de rádio (2)
Esta acção obrigou o PAIGC a retirar da zona, o que fez de má vontade ... e com muita saudade a julgar pelas visitas a Nhamate, cuja defesa estava a cargo do alferes Pimenta, outro dos rangers que integravam a companhia.
O PAIGC possuía naquela zona um bigrupo (cerca de 60 homens), bem como armas pesadas, e o nosso controlo da zona obrigava-o a retirar, pois ficava sem a sua base de apoio (alimentação). É provável que para efectuar estes ataques, este bigrupo tivesse sido reforçado com guerrilheiros de outras bases, nomeadamente da sua principal base no Choquemone.
Sabendo que as nossas defesas naquela altura eram fracas, o PAIGC lançou ataques em força, tentando quebrar a nossa determinação, mas o nosso moral sempre foi muito alto, o comando muito determinado, e a eficácia da nossa resposta surpreendente (parecia que sabíamos onde eles estavam), pelo que foram sempre obrigados a retirar apressadamente, levando as suas baixas.
A seguir apresentam-se algumas fotos do aquartelamento de Nhamate.
Logo no primeiro ataque a Nhamate, a 3/2/1970, talvez o mais violento, apesar de termos as nossas defesas muitos deficientes, os guerrilheiros foram obrigados a retirar rapidamente e com várias baixas, graças a um estudo cuidado do terreno, onde foram identificados os melhores locais de ataque, e estudada a precisa regulação dos morteiros, para os anular, o que permitiu uma rápida e eficiente resposta, tendo nós apenas sofrido um ferido ligeiro.
A guerrilha manteria a sua pressão ofensiva nos dias seguintes, atacando Nhamate a 12/2/1970, Manga a 13/2/1970 (onde estava o 2º pelotão aquartelado), Nhamate 17/2/1970, sempre com pouco sucesso, e retirando com baixas.
Spínola fez uma visita à CCaç 13, o heli desceu em Nhamate, e ele deslocou-se depois de panhar até Unche.
Não sei se alguém irá apreciar a beleza das construções que fizemos, mas em rapidez fomos os maiores. No primeiro dia o objectivo era levantar um muro de areia e abrir um abrigo no chão para o morteiro e suas granadas.
Eis algumas fotos do aquartelamento de Unche.
7/3/1970 - Unche - Sanitários (1) 7/3/1970 - Unche - Dormitório (1)
Instalações sanitárias à esquerda (as retretes estão pouco visíveis, são um buraco no chão junto ao muro, para o qual se deitava terra quando era usado), e o bidom contém água para nos lavarmos (a qual íamos buscar a uma fonte), os dormitórios à direita (à noite coloca-se um mosquiteiro, como se vê nas 2 camas da esquerda, para se conseguir dormir sem a companhia dos ditos), por trás vê-se o "muro" do "quartel", levantado rapidamente para poder fazer frente aos ataques.
As trincheiras e os abrigos serão o próximo melhoramento.
7/3/1970 - Unche - No refeitório do quartel "Quando é que este cozinheiro aprende a fazer um prato sem mosquitos?" (1)
Os mosquitos são uma companhia constante, e basta destapar a panelas para que o calor e o vapor que delas emana, faça cair montes deles no cozinhado, nem vale a pena tentar tira-los tal é a sua quantidade, assim passam a fazer parte da refeição diária.
Publicado em 24/02/2003, e revisto em 21/07/2007 por Carlos Fortunato Crónica de Carlos Fortunato, ex-furriel da CCaç. 13 (1) Fotos de Carlos Fortunato, ex-furriel da CCaç. 13 (2) Fotos de José Gonçalves, ex-cabo de transmissões da CCaç. 13 (3) Fotos de Adrina Silva, ex-furriel da CCaç. 13
Web portal: http://portalguine.com.sapo.pt
Isabel Niza
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